Animais de estimação: inserindo o cachorro na sua família

Compartilhe agora mesmo:

inserindo-o-cachorro-na-sua-familia
Meus filhos: Teteu, Dóris e Aramis.

Toda família tem sua própria cultura, hábitos e valores que são importantes para seus membros. Maneiras de agir, interagir e reagir ao convívio cotidiano costumam se replicar e perpetuar de geração em geração.

Há aquelas que se sentam para assistir à novela junto. Ou aquelas que valorizam fazer as refeições na mesa. Há ainda as mais modernas, em que cada um tem seu próprio horário e deixa o momento para se reunir aos demais nos finais de semana.

Quando um novo membro é inserido nesse contexto, ele precisa se adaptar à estrutura que já existe e que funciona exclusivamente para cada família.

Para novos membros humanos, existe sempre a argumentação oral. Ela ajuda a harmonizar todo o processo de adaptação e promove concessões entre as partes, objetivando sempre o equilíbrio das relações.

Já quando os novos membros são animais de estimação como os cães, por exemplo, é fundamental que a família entenda tudo sobre eles, suas demandas e necessidades. Afinal, esta é uma espécie completamente diferente da nossa.

E, mesmo os que já conviveram com pets quando crianças, precisam se adequar ao novo companheiro. A realidade da sociedade humana mudou muito nos últimos vinte anos, assim como a nossa relação com os animais de estimação.

Os cães das nossas infâncias, por exemplo, eram mais de quintal. Ou seja? Normalmente, para se ter um, era preciso morar em uma casa. Já as famílias contemporâneas, no entanto, costumam morar em grandes centros urbanos, com poucos filhos e em apartamentos.

Os animais de estimação também fazem parte da sua família

É bastante corriqueiro encontrarmos esse cenário em que trazemos um cão para nossas vidas pra nos fazer companhia. Mas, muitas vezes, não temos discernimento sobre o que isso significa para o cão. Por experiência própria posso afirmar que um cachorro pode ser muito feliz (e no meu caso, muito mais feliz) em um apartamento, por menor que ele seja.

Porém, é preciso entender DO QUE esse cachorro precisa. Alimentação, passeios, interação social de qualidade com o tutor, descanso, segurança etc. Tudo depende da raça e circunstância mas, no geral, um cachorro precisa de tudo isso (e algumas coisinhas a mais), todos os dias.

Depois de nos mudarmos para um apartamento, dediquei muito mais esforço para promover uma qualidade de vida que satisfizesse as demandas de gasto energético físico e mental do meu buldogue. Quando morávamos na chácara, mesmo tendo o conhecimento sobre esses conceitos, procrastinava grande parte das responsabilidades inerentes à ele.

A verdade é que, com o confinamento em cinco mil metros quadrados, não havia motivo para preocupações. Afinal, o próprio pet tinha todos os elementos para suas “questões e necessidades comportamentais” ao seu dispor. Porém, já nos cinquenta metros quadrados nos quais residimos hoje, destruir, latir e se mutilar seriam atitudes inevitáveis.

É importante entender, então, que “questões” comportamentais são diferentes de “problemas comportamentais.

Os comportamentos que fazem parte do repertório comportamental de um cão não podem ser vistos como problemas. No entanto, os problemas aparecerão, inevitavelmente, se ao cão não forem permitidas as expressões as quais ele é programado geneticamente para ter.

Pensando nisso, não pude mais adiar as adaptações a ele, e é incrível perceber as aptidões do Aramis florescendo. Ele é um buldoguinho muito mais feliz e isso reflete na vivacidade até de seus olhos!

Porém, gosto de dizer que não existe almoço grátis! Isso requer de mim planejamento e, o mais importante, execução de ações que permitam encaixar as necessidades dele na minha rotina.

Os cães são muito apegados aos humanos que cuidam deles. E a maneira como interagimos com eles vai refletir diretamente em suas ações, no quanto eles se sentem pertencentes ao grupo (sua família), e ainda na forma como eles se desenvolvem como cachorros que são.

Quanto mais próximo da sua própria natureza, podendo exprimir comportamentos de cachorro, mais otimista e equilibrado ele será!

Eu não posso querer que meu cão seja calmo se eu não interajo com ele de maneira calma e, ao contrário, incentivo comportamentos que têm como emoção vinculada a ansiedade.

Um exemplo muito comum são cães que sofrem com as partidas de seus tutores, quando estes saem para o trabalho. O pet presencia todo o ritual que antecede a saída do tutor: banho, roupas, perfume, mochila, chaves etc. E tudo com somente um “não fica triste não, a mamãe volta daqui a pouco, tá?!”.

O cão não entende, sequer, por que nós, além do banho, usamos um “disfarçador” de aroma tão forte, sobrepondo-se ao nosso próprio cheiro, quiçá o motivo de fazermos isso e nos ausentarmos por longas oito, dez horas.

Pra piorar, quando retornamos, ao final do dia, esperamos ser recebidos por uma festa de arromba (inclusive, nos espantamos e magoamos caso não sejamos). Aquele cãozinho, que ficou o dia todo ansioso, olhando para a porta, finalmente teve sua recompensa: a chegada do tutor. Ele não fez nada, o dia todo, além de ansiar.

Isso é bastante triste, se pensarmos do ponto de vista dos animais de estimação, não é?

Com certeza! Porém, não precisa ser. Podemos buscar um entendimento sobre a forma como eles vêem o mundo. E aí, ao invés de sairmos e deixá-los esperando, podemos entregar a eles um brinquedo recheado bem gostoso que incentive-os a se alimentarem e gastarem energia antes de sairmos. Assim, ao final da refeição, você possivelmente terá um cão relaxado e satisfeito, pronto para uma soneca.

Esse é um exemplo muito abrangente, mas a ideia é essa: dar oportunidade, dentro do cativeiro que nosso cão vive, dele não comer de graça! O nosso trabalho é muito menor se nos prepararmos para entendê-los, ao invés de limparmos as coisas que eles destruirão em nossa ausência. E sim, pode apostar que eles vão.

O que fazer, então, para incluir melhor nossos animais de estimação?

Para inserir o cão no contexto da família é preciso entender, em primeiro lugar, como ele se comunica para, então, criar um elo com ele, um vínculo! Não podemos esperar algo que ele não possa nos oferecer. Mostrar como ele deve se comportar e entender o quê ele quer dizer é nossa responsabilidade. Relacionar-se com o seu cão é se comunicar de maneira que faça sentido a ele. Quanto mais nós os incluímos no nosso contexto, mais eles se mostram merecedores dessa inclusão!

Te convido a entender mais sobre o seu cão e a inseri-lo nas suas atividades diárias. Vem comigo? É só continuar acompanhando meus textos aqui no Convite à Saúde! Até a próxima!

Este conteúdo foi originalmente publicado no portal Convite à Saúde.

Compartilhe agora mesmo:

Deixe seu e-mail e/ou telefone aqui pra receber as novidades da Tutor de Pet!

Tutor, fique tranquilo: somos contra spam!

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

*

Seja o primeiro a comentar!