Entenda o Reforço Positivo

 

Reforço positivo é um termo muito comum usado por comportamentalistas e adestradores de cães. Mas, você sabe o que significa e qual o embasamento da metodologia de reforço positivo no adestramento de cães?

As diferenças que mais me fazem vibrar na maneira positiva de ensinar cães em detrimento ao “adestramento tradicional” é o fato de nós, profissionais que atuamos com essa linha de treinamento, buscarmos nos direcionar por pesquisas científicas no campo do comportamento, respeitando e valorizando comportamentos naturais à espécie e, aliado a isso, entendermos que os cães aprendem a todo o momento de suas vidas, assim como nós humanos! Logo, ensinar algum comportamento a um cão vai muito além da contratação dos serviços de algum adestrador, independente de qual linha este siga!

Segundo John Bradshaw, no livro Cão Senso (2012), “Os cães aprendem, em grande parte, da mesma forma que os outros mamíferos – inclusive os seres humanos. No entanto, as espécies variam ligeiramente em termos do que acham mais fácil aprender e do que motiva seu aprendizado. Uma razão pela qual os cães domésticos se ajustam tão bem às comunidades humanas é que eles acham o contato humano muito recompensador e assim ficam ansiosos quando separados de seus companheiros humanos. Desse modo, eles são fortemente motivados para fazer coisas que agradem a seus donos ou, se não podem descobrir quais sejam elas, para conseguir, pelo menos a atenção deles.”

Não à toa os cães são uma espécie ímpar na domesticação e na própria história da humanidade!

Um profissional que ensina comportamentos desejáveis a cães através de métodos de reforço positivo precisa, obrigatoriamente, entender – bem como saber explicar – o que significam os quadrantes do condicionamento.

Vamos começar esclarecendo que condicionamento clássico e condicionamento operante são formas associativas de aprendizado.

No condicionamento clássico, Ivan Pavlov concluiu através de experimentos que “estímulos neutros podem ser transformados em estímulos condicionados, produzindo uma resposta condicionada”. Sempre que o cão era alimentado(estímulo condicionado) ele salivava (resposta condicionada). Decidiu introduzir um estímulo neutro (sino): tocou o sino, ofereceu o alimento e o cão salivou. Depois de um certo tempo, percebeu que mesmo sem oferecer a comida, ao apresentar o sino o cachorro salivava.

Ou seja, ele transformou um estímulo que antes era neutro em um estímulo condicionado, capaz de produzir uma resposta condicionada.

Já o condicionamento operante, teorizado por B.F. Skinner, diz que um comportamento voluntário e controlável é sustentado por reforços e recompensas, diferente do condicionamento clássico que trabalhava com respostas involuntárias, fisiológicas. Ou seja, todo comportamento reforçado tende a aumentar de frequência bem como, todo comportamento não recompensado tende a se extinguir, ou diminuir a frequência com que acontece.

Agora ficou mais fácil,né?

Assim, temos que existem reforços positivos, reforços negativos, punições positivas e punições negativas.

Reforços serão todas as coisas que farão com que o comportamento aumente de frequência. E, punições tudo que diminua a frequência de um dado comportamento.

Quanto aos termos positivo e negativo temos que, positivo não diz respeito a ser algo bom e negativo não significa algo ruim. Positivo faz referência a introdução, algo que é adicionado. Logo, negativo faz referência ao que é subtraído, retirado.

Então, um reforço positivo é quando alguma coisa é adicionada e que, em consequência disso, aumenta a frequência de um comportamento específico. Um reforço negativo é quando alguma coisa é retirada e a frequência de um comportamento específico é aumentada.

Uma punição positiva é quando alguma coisa é adicionada e um comportamento específico diminui ou se extingue. E, uma punição negativa é algo retirado diminui ou extingue um comportamento.

quadrantes de condicionamento

Vamos exemplificar para facilitar o entendimento prático das situações:

Quando queremos ensinar a um cão que interaja conosco sempre sentado, podemos, assim que ele se sentar (comportamento), entregar-lhe um brinquedo que ele goste, com uma bolinha (reforço), por exemplo. Reforço positivo!

Quando queremos que um cão pare de pular (comportamento) ao se aproximar de nós, podemos ignorar esse comportamento, dando-lhe as costas (punição), retirando a interação com ele. Punição Negativa! É a única vez que devemos usar algo que não seja o reforço positivo para ensinar aos cães. 

Quando alguém dá um tranco na guia para o cão parar de puxa-la, e ele efetivamente para (comportamento), está usando o Reforço Negativo, ao parar de tensionar a guia (reforço). “Nós” introduzimos um tranco para que ele pare de puxar e, quando ele para, cessamos o tranco – eis o reforço!

E, por fim, quando alguém bate no cachorro (punição) por ele estar fazendo xixi no lugar errado, se o cão parar de urinar (comportamento), a pessoa terá realizado uma Punição Positiva. Lembrando que se, e somente se, o comportamento diminuir ou se extinguir é que se terá certeza que a inserção da violência teá resultado no objetivo, que era extinguir o comportamento.

Em todos os casos, é imprescindível que o reforço ou a punição sejam feitos em poucos segundos após a ocorrência do comportamento. Do contrário, corre-se o risco de “marcar” um comportamento diferente do pretendido.

Por esse e, claro, por vários outros motivos (dentre eles alguns éticos!) a punição positiva é amplamente desaconselhável! Se você quisesse usar a punição positiva para seu cão parar de fazer xixi no lugar errado, pra ter sucesso, precisaria usá-la todas as vezes que ele fizesse, em no máximo três segundos após o ato de urinar, em si. Quanto tempo você precisaria  não fazer mais nada da vida, para estar com seu cão as vinte e quatro horas do dia?

Mas, como ele já teria a recompensa fisiológica, por si só e deixar de urinar não é uma opção…contando com minha experiência, ele provavelmente só deixaria de fazer xixi na sua frente e passaria a fazer em algum canto escondido!

Não te parece mais inteligente e proveitoso ensinar onde quer que ele faça e reforçar positivamente, sempre que ele fizer no lugar certo?!

Posso garantir que é muito mais fácil, mais rápido, mais legal, mais divertido, mais empático, mais carinhoso, mais amoroso!

A mim, não resta dúvidas quanto aos motivos para se usar uma metodologia que preconize a construção e manutenção do vínculo do cão conosco, tutores!

Pense nisso!

 

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